Os Sete Selos

 

Em nosso último estudo aprendemos sobre um livro selado com sete selos que estava nas mãos de Deus. Foi declarado que ninguém podia abrir o livro e, por isso, João chorava muito. Então veio a palavra de conforto de um dos anciãos: “Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos” (Apocalipse 5:5).Hoje, descobriremos quais eventos ocorrem à medida que o Cordeiro rompe os selos. Na abertura de cada selo vê-se um paralelismo com os eventos já descritos nas sete cartas às igrejas. São aspectos de um grande conflito envolvendo as forças do bem e as forças do mal, vistos de outro ângulo.

Há um princípio fundamental de repetição ao se estudar as profecias do Apocalipse. Elas não são sucessivas, mas repetitivas, isto é, elas refluem, cobrindo de novo os mesmos períodos de tempo. Os sete selos, por exemplo, bem como as sete trombetas, que ainda estudaremos, cobrem o mesmo período de tempo das sete igrejas. Enquanto as sete cartas das sete igrejas tratavam da situação interna das igrejas, os sete selos destacam aspectos externos da igreja cristã, seus triunfos e fracassos.

 

Estudando Juntos

Responda as perguntas, usando de preferência a Bíblia na versão Almeida Revista e Atualizada.

 

Os cavaleiros do Apocalipse – abertura dos quatro primeiros selos

 

Cavalos e carros simbolizam mensageiros da parte de Deus (ver Zacarias 1:8-11; Joel 2:4, 11; 2 Reis 6:16, 17). Quando Jesus abre os primeiros quatro selos, cada um dos quatro seres viventes diz a João: “Vem!”. Isso indica que cada cavalo estava sob a orientação de um dos quatro seres viventes respectivamente. Quando o selo era aberto, cada cavalo, com seu cavaleiro, saía para cumprir sua missão.

 

  1. O que João viu quando o Cordeiro abriu o primeiro selo? Apocalipse 6:1-2

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Quando o primeiro selo foi aberto João viu um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco e foi-lhe dada uma coroa e ele saiu vencendo e para vencer. Esta imagem é um belo símbolo das vitórias do evangelho no primeiro século. Um cumprimento da profecia de Habacuque, que diz: “… já que andas montado nos teus cavalos, nos teus carros de vitória?Tiras a descoberto o teu arco, e farta está a tua aljava de flechas…” (Habacuque 3:8, 9). No Salmo 45:5 lemos: “As tuas setas são agudas, penetram o coração dos inimigos do Rei; os povos caem submissos a ti”.

Estima-se que havia cinco milhões de Cristãos, apenas dentro do Império Romano, no primeiro século da era cristã. Mas o progresso do cristianismo ultrapassou as fronteiras de Roma e fez prosélitos em todas as partes do globo (Colossenses 1:5, 6, 23). Após o derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, a pregação expandiu-se de forma extraordinária. Assim, podemos comparar a abertura deste primeiro selo, com o período da igreja de Éfeso, que vai do ano 31 a. D., ano da morte de Cristo, até cerca do ano 100 a. D., quando morre João, o escritor do Apocalipse.

 

  1. O que João viu quando o Cordeiro abriu o segundo selo? Apocalipse 6:3-4.

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Na abertura do segundo selo João vê um cavalo vermelho. Esta cor está associada na Bíblia às guerras e mortandade (2 Reis 3:22; Naum 2:3). Este cavaleiro bem pode representar o império romano, na pessoa de seus imperadores, durante as terríveis perseguições que foram movidas contra os cristãos, vítimas da intolerância para com sua fé em Deus.

Ao segundo cavaleiro foi dada a ordem de tirar a paz da terra, levar os homens a se matarem e recebeu também uma grande espada. Este conjunto de informações indica que, após a primeira e mais pura era do cristianismo, o espírito de amor e paz deveria retirar-se da igreja, e ser substituído por um espírito de discórdia, dissensão e controvérsias instigando os cristãos a se destruírem uns aos outros. Este selo corresponde ao período da igreja de Esmirna, que testificou o martírio de milhares por amor ao evangelho.

 

O período do segundo selo se estende desde a morte de João, por volta do ano 100 a.D., até a assinatura do Edito de tolerância de Milão, pelo imperador Constantino, em 313 a.D. Esse edito declarava que o Império Romano seria neutro em relação ao credo religioso, acabando oficialmente com toda perseguição e devolvendo os lugares de culto e as propriedades que tinham sido confiscadas dos cristãos. Assim, foi dado ao cristianismoo estatuto de legitimidade.

 

  1. O que João viu quando o Cordeiro abriu o terceiro selo? Apocalipse 6:5-6.

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Quando o Cordeiro abre o terceiro selo, João viu um cavalo preto. Se o cavalo branco, do primeiro selo, representava a pureza do evangelho que avançou vitorioso nos dias de Éfeso, o preto deve significar o contrário. Neste período houve a união da religião e o poder civil quando Constantino, em 313 a.D., oficializou o Cristianismo como religião do estado. Se o Cristianismo havia conquistado Roma, agora Roma conquista o Cristianismo. O espírito de comercialização e materialismo envolveu o cristianismo e várias doutrinas pagãs penetraram na igreja cristã. Foi um período de trevas morais, apostasia e erros doutrinários.

O cavaleiro trazia em sua mão uma balança. A balança na Bíblia é um símbolo de julgamento (Jó 31:6; Daniel 5:27). Ao tempo do cavalo preto havia uma mensagem de advertência do juízo vindouro, onde cada alma será pesada, e se não se arrepender, será achada em falta. Aparece ainda uma voz dizendo: “Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada por um denário”. Um denário era o salario normal por um dia de trabalho. Com ele você poderia comprar uma medida de trigo (cerca de 650 gramas) ou três medidas de cevada (quase 2 kilos). A cevada era consumida apenas pelos mais pobres, um tipo de alimento bem inferior ao trigo.

Em tempos normais, um denário comprava vinte e quatro medidas de cevada, mas aqui só se compram três, ou seja, estava havendo escassez de alimento. Isso representa fome espiritual, como nas palavras do profeta: “Disse-me ainda: Filho do homem, eis que eu tirarei o sustento de pão em Jerusalém; comerão o pão por peso e, com ansiedade, beberão a água por medida e com espanto” (Ezequiel 4:16).

O trigo é símbolo do evangelho puro, da Palavra de Deus e do povo de Deus (Mateus 13:24-30; 37, 38, 43). A cevada se parece com o trigo, mas é um alimento bem inferior. Nos tempos de Roma servia para alimentar os pobres, ao passo que o trigo era o alimento dos nobres. A cevada (doutrinas parecidas, mas falsas), havia em abundância, mas o trigo (doutrina pura) estava em escassez. Então havia uma escolha a ser feita entre o trigo e a cevada. O indivíduo está com o salário do dia nas mãos e pode comprar uma medida de trigo ou três medidas de cevada. Cada um deve fazer sua escolha. O terceiro selo encontra seu paralelo com a igreja de Pérgamo, que estava sofrendo ataques com as doutrinas de Balaão e dos Nicolaítas.

A voz ainda diz: “E não danifiques o azeite e o vinho”. O azeite é símbolo do Espírito Santo (Zacarias 4:2-6) e o vinho símbolo do sangue de Cristo (Mateus 26:27-29; 1 Coríntios 11:25). A despeito da fome espiritual, a obra do Espírito Santo em aplicar o sangue de Cristo aos corações sinceros deveria prosseguir. Este símbolo se estende ainda ao povo de Deus, que deveria ser protegido da corrupção e fome da Palavra de Deus.

 

  1. O que João viu quando o Cordeiro abriu o quarto selo? Apocalipse 6:7-8.

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Na abertura do quarto selo surge o último cavalo. Sua cor é amarelo esverdeada. A palavra grega aqui usada é Chloros, traduzida em outros lugares como verde (Marcos 6:39; Apocalipse 8:7 e 9:4). Quando uma planta está fora de alcance do sol, perde sua cor; seu verdor se torna pálido. Deste modo, tendo-se afastado da fé apostólica, tornou-se praticamente impossível aos raios do Sol da justiça, Cristo (Malaquias 4:2), penetrarem as trevas espirituais daqueles dias.

O fato do cavaleiro se chamar “morte” e de o “inferno” ou “sepultura” o seguir, são símbolos da obra nefasta realizada contra os féis filhos de Deus na Idade Média. Este período coincide com a igreja de Tiatira, quando o bispo de Roma chega ao poder. A profecia apontava um domínio do papado por 1260 anos (Daniel 7:25; Apocalipse 12:6, 14; 13:5). Este período cumpre-se na história dos anos 538, quando é expulsa de Roma a última tribo ariana, os Ostrogodos, até 1798, ano da prisão do Papa Pio VI, por ordem de Napoleão Bonaparte.

Nestes 12 séculos, fiéis filhos de Deus (Valdenses, Albigenses, Huguenotes, etc) foram mortos pela espada, fome e através de animais selvagens. Milhares de inocentes seguidores de Cristo pagaram com a própria vida a sua fidelidade à verdadeira fé.

 

Jesus fez menção a este período: “Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados” (Mateus 24:22). O arrefecimento das perseguições só ocorreu em virtude do grande movimento da Reforma Protestante. Quando Martinho Lutero afixou, no dia 31 de outubro de 1517, as 95 teses contra a venda de indulgências, ele estava dando início a uma ferrenha luta contra os poderes das trevas e promovia um retorno à Bíblia como única autoridade de fé e prática para o cristão.

 

Abertura dos últimos três selos

  1. O que João viu quando o Cordeiro abriu o quinto selo? Apocalipse 6:9-11.

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Quando o Cordeiro abre o quinto selo, João viu almas clamando debaixo do altar. A expressão “almas” não deve ser compreendida à luz da crença popular, como algo imaterial, que se separa do homem em sua morte. A palavra grega aqui é Psyche, que aparece 102 vezes no Novo Testamento, e equivale a ser vivente, ou mais apropriadamente a uma pessoa (ver Atos 2:41; 7:14; 1 Pedro 3:20). De fato, em toda a Bíblia, a expressão alma nunca se refere a uma entidade fora e independente do corpo.

E quanto a este altar? No santuário dos hebreus havia dois altares, o altar de incenso, no primeiro compartimento do santuário, ou lugar santo; e o altar de holocausto, que ficava no pátio, fora do santuário, onde os animais, após serem sacrificados, eram queimados e seu sangue derramado debaixo do altar (Levítico 4:18, 25, 30 e 34). A cena do quinto selo não é literal. Não existem pessoas reais clamando debaixo de um altar, mas estas almas (pessoas) foram mortas por seu fiel testemunho, como “sacrificadas” em nome de Cristo. O próprio Paulo usou terminologia parecida para falar de seu martírio: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação (sacrifício), e o tempo da minha partida é chegado” (2 Timóteo 4:6).

Este clamor simbólico tem a ver com os martírios ocorridos na Idade Média, conforme visto na abertura do quarto selo. Agora, simbolicamente, os mártires estão clamando por justiça: “Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” Então vem a resposta do céu: “Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram” (Apocalipse 6:11). As vestes brancas são símbolos da justiça de Cristo e de vitória (Apocalipse 19:8; 3:5). Estes mártires estão salvos aguardando apenas o recebimento da recompensa, quando Jesus voltar à terra (Apocalipse 22:12).

Outro detalhe chama a atenção é que muitos ainda morreriam como mártires. Em paralelo com a abertura do quinto selo está a quinta igreja, Sardes. Na carta a esta igreja vemos uma mensagem semelhante: “Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer…” (Apocalipse 3:2). Mesmo a Reforma Protestante não conseguiu frear completamente as perseguições, pois o período de domínio papal se estendeu ainda até 1798. O massacre de São Bartolomeu na França, em 1572, é um exemplo de que muitos ainda morreriam pelo puro evangelho de Cristo.

 

  1. O que João viu quando o Cordeiro abriu o sexto selo? Apocalipse 6:12-17.

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Na abertura do sexto selo, torna-se evidente que a linguagem passa de simbólica para literal. Os profetas no Antigo Testamento já haviam falado de grandes sinais no mundo físico, no sol, na lua, nas estrelas (Joel 2:10). Quando se abre o sexto selo ocorrem quatro eventos identificados assim na história:

  1. Grande terremoto – Lisboa, 1º de novembro de 1755.
  2. O sol se tornou negro como saco de crina – Nova Inglaterra, EUA, 19 de maio de 1780.
  3. A lua se torna como sangue – Nova Inglaterra, EUA, 19 de maio de 1780.
  4. Estrelas do céu caíram pela terra – Costa Leste dos EUA – 13 de novembro de 1833.

 

Os sinais vistos na abertura do sexto selo foram também profetizados por Cristo (ver Mateus 24:29). Assim, aguardamos agora apenas a abertura do sétimo e último selo do Apocalipse. Estamos vivendo justamente depois do verso 13 e antes do 14 do capítulo 6. Daqui a pouco veremos se cumprir o verso 14: “o céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos do seu lugar. Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montese disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” (Apocalipse 6:14-17).

O capítulo 6 termina com uma pergunta e há apenas uma resposta para ela: os 144 mil selados (Apocalipse 7). Só eles subsistirão neste tempo de prova. Em nosso próximo estudo aprenderemos sobre este grupo especial.

 

  1. O que João viu quando o Cordeiro abriu o sétimo selo? Apocalipse 8:1.

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Por que o céu estará em silêncio? Já vimos que o ambiente do céu é cheio de música (Apocalipse 4:8), mas por que agora há silêncio? Jesus tem a resposta: “Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com Ele, então, se assentará no trono da sua glória” (Mateus 25:31). O céu ficará em silêncio porque estará vazio. Não ficará um só anjo, pois todos virão com Cristo para aquela gloriosa viagem que vai durar uma semana. Isto mesmo! Faça os cálculos:

 

1 dia profético = 1 ano literal (12 meses)

12 horas = 6 meses

6 horas = 3 meses

2 horas = 1 mês

1 hora = 15 dias

Meia hora = 7 dias

 

Conclusão

Os anjos de Deus aguardam com fremente desejo a ordem de Cristo para vir à terra buscar os salvos. Maravilhoso é pensar neste dia, em que todas as famílias serão reunidas. Nunca mais haverá morte, nem luto, nem pranto nem dor, pois as primeiras coisas passarão (Apocalipse 21:4). Todos nós temos um céu a alcançar e um inferno a evitar. Qual será hoje sua decisão? Seu coração pertence completamente a Cristo?

 

 

Minha declaração de fé

Assinale com um X se concordar com as declarações abaixo:

 

(     ) Acredito que Deus está no controle da história e governa para o bem de Seus filhos.

(     ) Desejo entregar minha história para que Jesus possa dirigi-la.

 

 

Bênção final

 

“… Que a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarde seu coração e sua mente em CRISTO JESUS” (Filipenses 4:7).

 

 

 

 

 

 

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