Os 144 mil

 

Em toda a Bíblia apenas os capítulos 7 e 14 de Apocalipse tratam do tema dos 144 mil selados. É interessante notarmos que o capítulo 7 encontra-se entre a abertura do sexto selo (Apocalipse 6) e a abertura do sétimo selo (Apocalipse 8). Apocalipse 6 termina falando dos eventos finais da história humana indicando a iminência da vinda de Jesus. Então surge a pergunta: “Por que chegou o grande dia da ira deles e quem é que pode suster-se?” (Apocalipse 6:17).

Quando lemos Apocalipse 8:1, vemos a abertura do sétimo e último selo, que é a própria Volta de Cristo com todos os anjos (Mateus 25:31). Nesta ocasião o céu estará em silêncio, vazio, por cerca de meia hora profética, ou seja, uma semana literal. Assim, o capítulo sete responde a pergunta formulada no fim do capítulo seis, “quem poderá suster-se?” Resposta: os 144 mil selados.

 

O selo de Deus

 

  1. João vê um anjo vindo do nascente do sol (Oriente). O que ele carrega e que pedido faz aos quatro anjos? Apocalipse 7:2-3.

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Os anjos na Bíblia são mensageiros de Deus (Mateus 13:41; 2 Reis 19:35). Estes quatro anjos estão retendo os ventos para que não soprem sobre a terra. Na profecia, ventos simbolizam guerras e lutas por supremacia entre as nações (Daniel 7:2; Jeremias 4:11-13; 25:31-34). Deus não permitirá que os poderes do mal façam sua obra de morte até que o povo de Deus tenha sido selado.

 

  1. Qual é o selo do Deus vivo? Qual o significado deste selamento? Apocalipse 7:2-3; Isaías 8:16; Ezequiel 20:12, 20.

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Selo ou sinal são sinônimos na Bíblia (Gênesis 17:11; Ezequiel 9:4; Romanos 4:11). Os selos antigos continham três elementos principais: nome do governante, seu cargo e a jurisdição ou domínio. O sábado de Deus é o único dos Dez Mandamentos que contém Seu nome: “o Senhor teu Deus”; Seu título ou função: Criador, “pois em seis dias fez o Senhor”; e Seu território ou jurisdição: “o céu e a Terra, o mar e tudo o que neles há” (Êxodo 20:8-11). O sábado do sétimo dia é um eterno sinal de lealdade a Deus. É o símbolo externo de uma fé viva e profunda.

Podemos ainda afirmar que, por extensão, são selados apenas aqueles que forem leais não só ao sábado, mas a toda a lei de Deus. Tiago afirma que se alguém guarda nove mandamentos e tropeça em um, se torna culpado de todos (Tiago 2:10).

 

  1. Segundo o livro do Apocalipse quem recebe o selo de Deus? Apocalipse 7:4.

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O selo de Deus é aplicado aqui com duas finalidades específicas. Primeira, indicar que os 144 mil pertencem ao Senhor, por isso trazem o nome de Deus em suas frontes (Apocalipse 14:1). O “nome” de Deus é um termo frequentemente usado para representar Seu caráter. Os 144 mil revelam o caráter do Pai através de sua vida em obediência aos mandamentos de Deus. Em segundo lugar, o selo é aplicado como forma de proteger os filhos de Deus dos juízos que sobrevirão aos ímpios por ocasião das sete pragas (Apocalipse 7:3; 9:4; 16:2). Assim, o selo é símbolo de pertencimento e proteção.

 

Por que 144 mil?

 

O número 144 mil é resultado da multiplicação de 12 X 12 X 1.000 = 144.000. Doze é o número das tribos de Israel do Antigo Testamento. Representa também o número da igreja construída sobre o fundamento dos doze apóstolos (Efésios 2:20). Na Nova Jerusalém, as doze portas são nomeadas após as doze tribos de Israel e seus doze fundamentos com os nomes dos doze apóstolos, representando, assim, o Israel tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Assim, o número 144 (12 x 12) representa a totalidade de Israel, ou seja, a totalidade do povo de Deus: Antigo e Novo Testamento.

 

O número 1.000

 

O número mil pode ter diferentes significados no Antigo Testamento. Ele pode ser um número literal, mas também pode denotar uma subdivisão tribal (Números 31: 5; Josué 22:14, 21; 1 Samuel 10:19; 23:23) ou uma unidade militar de cerca de 1.000 soldados. Israel como uma nação foi organizada administrativamente em unidades tribais. No tempo da guerra, no entanto, seu exército foi organizado em unidades militares de 1.000, com suas subunidades (Números 1:16; 10: 4; 31: 4-6; 1 Samuel 8:12; 18:13; Êxodo18:21, 25; 1 Samuel 22:7).

Assim, MIL era uma unidade militar básica no antigo Israel. A frase “milhares de Israel” é usado como um sinônimo para o exército de Israel e tem a mesma conotação que “os batalhões de Israel”. Os 144.000 selados compõem-se de 144 unidades militares, doze de cada tribo, significando uma totalidade de Israel. João utiliza imagens de uma batalha para retratar a igreja em seu aspecto de luta terrestre, uma igreja militante. Os 144.000 estão prestes a passar pela grande tribulação e é natural e muito apropriado entender os selados em termos militar de um exército organizado em unidades militares prontas para a guerra.

 

Identificando os 144 mil

 

  1. Qual é a primeira informação que o Apocalipse dá a respeito dos 144 mil? Apocalipse 7:3, 4.

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A cena do selamento de Apocalipse 7 é tomada de Ezequiel 9, que retrata em linguagem simbólica a destruição de Jerusalém antes do Exílio. O profeta Ezequiel viu um homem vestido de linho que havia recebido a ordem de passar pela cidade e marcar com um sinal na testa os homens que eram fiéis, antes que os executores chegassem. Eles deveriam matar a todos, mas aqueles que tivessem o sinal em suas testas deveriam ser poupados (Ezequiel 9:6).

Na crise final da história deste mundo, o selo aplicado aos 144 mil é um sinal de proteção, assim como na visão de Ezequiel onde os marcados foram protegidos durante o julgamento que se abateu sobre Jerusalém (Ezequiel 9:1-7). Então a primeira característica deste grupo, os 144 mil, é que possuem o selo de Deus, ou seja, são leais aos mandamentos de Deus, inclusive o quarto, que requer a observância do santo sábado (Êxodo 20:8-11).

 

  1. Qual o significado dos 144 mil terem na fronte escrito o nome de Deus? Apocalipse 14:1.

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Enquanto aqueles que possuem o selo de Deus recebem também Seu nome sobre a fronte, a marca da besta consiste no nome da besta na testa ou na mão (Apocalipse 13:16-17; 14:9; 16:2; 19:20). A recepção do selo de Deus ou marca da besta denota conformidade com o caráter de Deus ou de Satanás. No conflito final todo mundo terá ou a imagem de Deus ou a do inimigo de Deus.

O selo de Deus não é um sinal visível. A característica que identifica os selados é seu firme compromisso em guardar os mandamentos de Deus e a fé de Jesus. Isso é o que significa ter o “nome” ou caráter de Deus escrito em suas testas (Apocalipse 14:1).

 

  1. Que outras informações o Apocalipse fornece sobre os 144 mil? Apocalipse 14:4-5

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O fato de não se contaminarem com mulheres se refere à decisão de não participarem de práticas idólatras, que em profecia equivale a adultério e fornicação (Apocalipse 2:14-15, 20-25; 17:1-7; Ezequiel 16:1-58; 23:1-49). Os 144 mil não tiveram relações ilícitas com “a grande meretriz” (Apocalipse 17:1), “a grande Babilônia, a mãe das prostitutas” (verso 5), nem com suas filhas que também são prostitutas.

Afirma-se que os 144 mil são “virgens”. A palavra grega não dá a ideia de que se trata só de mulheres. O vocábulo pode aplicar-se a ambos os sexos, como também em português. São chamados “virgens” porque levam o sinal da pureza. São castos e têm-se mantido permanentemente incontaminados. Conservam uma fé pura. O fato de que não aceitaram nenhum tipo de relação ilícita com outros organismos religiosos é um sinal de que têm alcançado êxito em se manterem fiéis a Deus.

 

  1. Este número, 144 mil, é um número simbólico ou literal? João 3:16; 1 Timóteo 2:4; Apocalipse 22:17.

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O fato de Apocalipse 7:4 mencionar os 144 mil como sendo formado “de todas as tribos dos filhos de Israel”, tem levado alguns a sugerir que esse grupo será́ formado apenas por judeus literais. Essa interpretação, no entanto, carece de base bíblica e de fundamentaçãohistórica.

 

Primeiro, as tribos mencionadas em Apocalipse 7 nãosão exatamente as mesmas que aparecem na promessa de Ezequiel 48:1-8 e 23-29 (ver também Gênesis 49:1-28).

 

Em segundo lugar, dez tribos não existiam mais. O reino do Norte de Israel, que era composta de dez tribos, desapareceu da história com a conquista assíria no século VIII a. C. (2 Reis 17:5-23). A maioria das pessoas pertencentes a essas dez tribos foram deportados da Palestina e espalhados entre as nações no Oriente Médio. No curso da história, eles se tornaram assimilados a essas nações (2 Reis 17: 24-41) ou amalgamados entre si.

Finalmente, no Novo Testamento a salvação “em Cristo” desfaz toda e qualquer distinção étnica (Gálatas 3:26-29). Diante disso, somos levados à conclusão de que os 144 mil serão formados pela última geração do povo remanescente de Deus, também chamado de Israel espiritual (Romanos 9:6-8; Gálatas 3:29; 6:16; Tiago 1:1; 1 Pedro 2:9-10). Assim, uma vez que na época de João apenas duas tribos ainda existiam (Judá e Benjamim), parece ser mais lógico supor que aqui temos uma referência ao Israel espiritual, aos crentes fiéis dos dias que antecederão a volta de Cristo.


 

 

Relação das 12 tribos na Bíblia

 

 

Apocalipse 7

 

Gênesis 49

 

 

Números 1

 

Ezequiel 48

Judá Rúben Rúben
Rúben Simeão Simeão Aser
Gade Levi Judá Nafitali
Aser Judá Issacar Manassés
Nafitali Zebulon Zebulon Efraim
Manassés Issacar Efraim Rúben
Simeão Manassés Judá
Levi Gade Benjamim Benjamim
Issacar Aser Simeão
Zebulon Nafitali Aser Issacar
José José Gade Zebulon
Benjamim Benjamim Nafitali Gade

 

A lista de paralelos na ordem das tribos é diferente. Judá vem em primeiro lugar ao contrário de Rúben, o filho mais velho de Jacó. Judá nunca é listado primeiro em qualquer das listas tribais do Antigo Testamento. Este deslocamento que é feito no Apocalipse é facilmente explicado quando é lembrado que o Cordeiro, o Messias, veio da tribo de Judá (Apocalipse 5:5-6). Ele é a cabeça desse círculo que se expandiu do povo de Deus.

No Apocalipse Dã e Efraim são omitidos, e as tribos de José e Levi são incluídas. Na realidade, José, como o filho favorito de Jacó, recebeu uma porção dupla de tal forma que seus dois filhos, Manassés e Efraim, se tornaram chefes de tribos. Israel, na verdade, tinha treze tribos, em vez de doze. A décima terceira era a tribo de Levi, tribo sacerdotal, que nunca recebeu herança. As tribos de Dã e Efraim no Antigo Testamento são descritas como apóstatas. Em seu discurso no leito de morte, Jacó falou de Dã como “uma serpente no caminho, uma víbora junto à vereda” (Gênesis 49:17). Na história de Israel, a tribo de Dã fez para si uma imagem de escultura (Juízes 18: 27-31). Durante o tempo da monarquia dividida, Dã se tornou um dos centros de culto idólatra que competiram com o Templo de Jerusalém (1 Reis 12: 29-30; 2 Reis 10:29).

Da mesma forma, Efraim tornou-se para os profetas um símbolo da apostasia de Israel

e idolatria (Oséias 4:17; 8:9-11.; 12: 1; 2 Crônicas 30:1, 10). O salmista descreve Efraim como “arqueiros equipados com arcos, mas eles viraram as costas no dia da batalha, eles não mantém a aliança de Deus” (Salmo 78:9-10). Na época de Isaías, Efraim se juntou à Síria contra Judá (Isaías 7:2-9), aliando-se assim com os inimigos do povo de Deus. O mais provável é que João omitiu Dã, bem como Efraim, e contou com a tribo de Levi, que não foi contado entre os doze tribos no Antigo Testamento.

 

Um tempo de Angústia

 

  1. O que será a grande tribulação pela qual os 144 mil terão de passar? Apocalipse 7:13-14; Daniel 12:1; Jeremias 30:5-7.

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Embora seja verdade que os discípulos de Cristo hão de passar por muitas tribulações para entrar no reino de Deus (Atos 14:22), isso é verdade de um modo particular com relação aos 144 mil. Eles passarão pelo grande tempo de angústia “qual nunca houve desde que há nação sobre a terra” (Daniel 12:1). Experimentarão a ânsia mental do tempo da angústia de Jacó (Jeremias 30:5-7). Estarão sem um mediador através das terríveis cenas das sete últimas pragas (Apocalipse 16). Enfrentarão o mais difícil tempo de angústia que o mundo jamais conheceu, mas a boa notícia é que serão libertos dele e receberão a recompensa final.

 

  1. Qual o segredo da vitória dos 144 mil? Apocalipse 7:14; 1 João 1:7; Tito 2:14.

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O segredo da vitória está no sangue de Cristo. Os 144 mil aprenderão por experiência o que significa ser dependente de Deus. Não confiarão em sua própria justiça ou obras, mas se apegarão pela fé aos méritos do filho de Deus que, a preço incalculável, conquistou na cruz o direito de lhes dar a vitória.


 

Conclusão

 

Assim, podemos concluir que os 144 mil serão todos os salvos que estiverem vivos por ocasião do fechamento da porta da graça (Apocalipse 22:11) e passarem pela grande tribulação. Ao ler Apocalipse 7 muitos pensam ver dois grupos (os 144 mil e a grande multidão), mas se trata de um mesmo grupo em dois momentos distintos – antes e depois da batalha. Nos versos 1 a 8, os 144 mil estão prestes a passar pela grande tribulação por isso é apropriada a linguagem militar de um exército organizado para a guerra. Na visão João vê uma grande multidão vestida de branco, com palmas nas mãos e um cântico nos lábios. Este é o cântico da vitória, ou seja, terminou o tempo de prova e eles agora se encontram diante de Deus.

Aproxima-se o dia em que todos os seres humanos estarão divididos em apenas dois grupos. Cada um deles terá seu sinal identificador – selo de Deus ou selo da besta. Escolher a qual destes grupos vamos pertencer é um assunto de vida ou morte, que devemos resolver aqui e agora. A quem vamos manifestar lealdade? Que nome vamos ter? Que sinal ou selo vamos possuir? Decida agora mesmo obedecer a Deus e à Sua palavra.

 

Minha declaração de fé

Assinale com um X se concordar com as declarações abaixo:

(   ) Creio que Deus está selando Seus filhos sinceros como sinal de Sua propriedade e proteção, desejo receber o selo de Deus em minha vida.

(   ) Compreendendo que o selo de Deus é o sábado e, por extensão, toda a Lei de Deus, desejo, pela graça de Cristo, colocar minha vida em harmonia com estes princípios.

(   ) Desejo orar e me consagrar para estar entre os 144 mil que hão de estar vivos e salvos na volta de Jesus.

 

Bênção final – “… Que a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarde seu coração e sua mente em CRISTO JESUS” (Filipenses 4:7).

 

 

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