João e o livrinho aberto

 

Como o capítulo 7, o capítulo 10 de Apocalipse é uma profecia parentética. Ela se encontra entre a sexta e a sétima trombetas dos capítulos 8, 9 e 11:15. Ela apresenta um quadro da última mensagem de Deus antes da Segunda Vinda de Cristo. A linguagem do capítulo sugere que o livrinho que o anjo traz em suas mãos não estivera sempre aberto, mas agora seu conteúdo será revelado. Na lição de hoje aprenderemos sobre esse livrinho misterioso e os impressionantes desdobramentos da descoberta de seu significado.

 

Responda as perguntas, usando de preferência a Bíblia na versão Almeida Revista e Atualizada.

 

  1. Qual foi a cena vista por João no capítulo 10 de Apocalipse? Apocalipse 10:1.

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Exilado na ilha de Patmos o idoso profeta contemplou mais uma magnífica revelação divina de um “anjo forte descendo do céu, envolto em nuvem…”. Frequentemente as Escrituras associam as nuvens com aparições de Cristo (Apocalipse 1:7 e 14:14). O arco-íris nos faz lembrar da aliança que Deus estabeleceu com Noé e com toda a humanidade, de que Ele nunca mais destruirá a terra “por águas de dilúvio” (Gênesis 9:12-15). Portanto, o conceito do arco-íris não era estranho ao profeta. Este arco representa a misericórdia e a justiça divina como sendo a base do governo de Deus.

 

  1. Quem era esse anjo visto por João? Apocalipse 10:1. Comparar com Apocalipse 1:13-16.

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Este “anjo forte” visto por João é o próprio Jesus, “que criou o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe” (Apocalipse 10:6; cf. João 1:3). “O Seu rosto era como sol” (Apocalipse 10:1). Esta descrição é muito semelhante com a de Cristo em Apocalipse 1:13-16. Ele não é um ser criado, e sim o Criador, o Deus eterno. Ele disse de Si mesmo: “Eu sou o Alfa e ômega” […], “aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.” […] “Eu sou o primeiro e o último, e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte do inferno” (Apocalipse 1:8, 17, 18). Quão confortante foi para João contemplar Jesus, o Senhor da história.

 

  1. O que esse anjo trazia em sua mão? Apocalipse 10:2. Comparar com Daniel 12:4 e 7.

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O anjo segurava na mão um “livrinho aberto”. Quando o profeta Daniel recebeu sua última visão ele fora instruído a “encerrar as palavras, e a selar o livro, até o tempo do fim” (Daniel 12:4). Esta recomendação se aplica de modo específico à porção das profecias de Daniel, que trata dos últimos dias, especialmente ao elemento tempo dos 2.300 dias de Daniel 8:14, referentes à purificação do santuário e a restauração da verdade (Apocalipse 14:6-12).

O livrinho que se encontra aberto na visão de João é o mesmo que se encontrava fechado na visão de Daniel. Portanto, este “livrinho” que João viu é o livro do profeta Daniel. As “palavras” que se achavam encerradas nos dia de Daniel, não deveriam permanecer assim para sempre. Elas permaneceriam “fechadas” apenas até o “tempo do fim” (Daniel 12:9), até que se completasse o tempo especificado na profecia: “um tempo, dois tempos e metade de um tempo” (Daniel 12:7), ou três anos e meio. Considerando o princípio de interpretação profética “dia-ano” (Números 14:34; Ezequiel 4:6-7), este período de tempo corresponde aos 1.260 anos de supremacia papal (Daniel 7:25), que vai de 538 até 1798 d.C.

Ao eliminar os Ostrogodos, a última tribo ariana, em 538 d.C., o papado não tinha mais obstáculos em seu caminho. Assim, em 538 deu-se início ao período de 1.260 anos de supremacia papal. No ano de 1.798, em decorrência da Revolução Francesa, o papa Pio VI foi aprisionado pelo general Berthier, da França. Este episódio marca o fim deste tempo profético de supremacia papal. De acordo com a profecia de Daniel, as palavras seladas do livro seriam desseladas e compreendidas depois 1798 d.C., no tempo do fim: “muitos o esquadrinharão, e o saber se multiplicará” (Daniel 12:4). Que privilégio podermos compreender os segredos de Deus revelados para o tempo em quem vivemos!

  1. Qual foi o juramento feito pelo anjo? Apocalipse 10:5-6.

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Nenhum juramento mais solene poderia ser feito (Hebreus 6:13). Ao jurar pelo Criador, o anjo, que é Cristo, jura por Ele mesmo. Ele declarou: “Já não haverá demora”. Esta profecia não se refere ao fim da história, mas ao ponto na história em que as profecias de tempo de Daniel 8-12 se cumpririam (Daniel 8:13-14; 12:7-12). Usando o historicismo como método de interpretação profética, identificamos o cumprimento das duas maiores profecias de Daniel (1.260 dias/anos e 2.300 dias/anos) em 1798 a.D. e 1844 a.D. O período que se segue é chamado de “tempo do fim” (Daniel 11:40; 12:4, 9).

 

  1. Que ordem recebeu João? Apocalipse 10:8.

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Esta imagem do anjo com o pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a terra, segurando o livrinho com a mão estendida para o céu, representa a abrangência mundial da mensagem deste livrinho. Representa também o surgimento de um movimento mundial de pregação das verdades contidas no livro de Daniel em conexão com as do Apocalipse.

 

  1. O que o anjo disse aconteceria depois que João comesse o livrinho? Apocalipse 10:9.

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Multidões de estudiosos da Bíblia, em vários lugares do mundo, fremiam com a mensagem de que o tempo do fim se aproximava. Muitos acreditavam que o término do período profético de 2.300 anos assinalava a Volta de Jesus. Assim, a alegria que encheu seu coração com a certeza de que Jesus voltaria em 1844, foi como mel na boca. Porém, o doce se tornou amargo no estômago.

 

  1. O que representa essa experiência agridoce vivida por João? Apocalipse 10:10.

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Os acontecimentos marcantes do fim do século XVIII e início do século XIX, como o grande terremoto de Lisboa em 1º de novembro de 1755, o escurecimento do sol no dia 19 de maio de 1780, o aprisionamento do papa Pio VI em 1798, e a queda de estrelas em 13 de novembro de 1833, provocou um grande despertamento religioso, o que levou muitas pessoas a estudar as profecias bíblicas, particularmente as do livro de Daniel. Muitos ficaram convencidos de que Jesus voltaria naqueles dias.

Foi o batista Guilherme Miller quem proveu um dos cálculos mais elaborados sobre a profecia das 2.300 tardes e manhãs e a purificação do santuário de Daniel 8:14.Depois, com os estudos adicionais de Samuel Snow, milhares de pessoas passaram a aguardar, com grande expectativa, o retorno de Cristo para o dia 22 de outubro de 1844, quando terminariam os 2.300 dias proféticos. Todavia, o dia passou e Jesus não voltou. Foi um grande desapontamento! O doce tornou-se amargo.

 

  1. Segundo a profecia, quando o santuário celestial deveria ser purificado? Daniel 8:14. Hebreus 9:23

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A chave para a compreensão de Daniel 8:14 é a profecia das 70 semanas de Daniel 9. O cumprimento profético das 70 semanas comprova que Jesus era o Messias prometido. Ele foi “tirado” exatamente no meio da última semana profética. Ele deveria confirmar “o concerto com muitos por uma semana” (7 anos), e na “metade da semana” (3 ½ anos) faria “cessar o sacrifício e a oferta de manjares” (Daniel 9:27).

As 70 semanas proféticas, ou 490 anos literais, tiveram início com o decreto de Artaxerxes, rei da Pérsia, no ano 457 a.C., autorizando a reconstrução de Jerusalém (Esdras 7:11-26). De acordo com Daniel 9:25, avançando sete semanas proféticas, ou 49 anos literais, chegamos ao ano 408 a.C., quando termina a reconstrução da cidade. Depois disso, viajando sessenta e nove semanas, ou 483 anos, chegamos ao ano 27 a.D., quando o Messias seria ungido. Jesus neste ano foi batizado e iniciou o Seu ministério público.

Conforme a profecia de Daniel 9:27, o Messias faria “firme aliança com muitos por uma semana”, ou sete anos, mas na metade da semana, ou seja, ano 31 d.C., Jesus morreria pondo fim a todo o serviço sacrifical do Antigo Testamento. Após a morte de Cristo, restavam ainda 3,5 anos da última semana profética. Estes anos ainda serviram para a pregação do evangelho aos judeus. Este período profético das setenta semanas termina no ano 34 a.D., ano que Estevão foi martirizado. Nesse tempo houve grande perseguição contra os cristãos em Jerusalém e estes foram dispersos para muitos lugares. Saulo se converteu ao cristianismo e o evangelho foi pregado aos gentios (Atos 9:1-9; Colossenses 1:23).

Estas 70 semanas, ou 490 anos, eram um período seccionado, ou cortado do período maior de 2.300 anos. Subtraindo 490 de 2.300 temos um período restante de 1.810 anos. Acrescentando-se a este resultado a data de 34 a.D., ano do apedrejamento de Estevão, chegamos a significativa data de 1844. Fazendo uma comparação entre o calendário judaico e o atual (Gregoriano),o dia da expiação ou purificação do santuário, que era 10º dia do 7º mês, coincide com o dia 22 do mês de outubro.

 

  1. O que pensavam os Mileritas ser a purificação do santuário? Atos 17:31; Mateus 25:31.

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Para Guilherme Miller a purificação do santuário consistia na purificação da Terra e da Igreja, que ocorreria na Segunda Vinda de Cristo, no final dos 2.300 anos. Para ele a Terra seria “purificada pelo fogo” (2 Pedro 3:7-12), no dia do juízo final. Desta maneira milhares de Mileritas (como eram chamados os seguidores de Miller) se prepararam para se encontrar com o Senhor. Porém, embora o elemento tempo estivesse correto nos cálculos da profecia, o evento não se referia ao retorno de Cristo, mas sim à purificação do Santuário Celestial.

 

  1. O que de fato ocorreu no dia 22/10/1844? Hebreus 4:14-15.

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No 10º dia do 7º mês do calendário judaico ocorria o dia da expiação. Este dia envolvia um complexo ritual de purificação do santuário terrestre simbolizando arrependimento, confissão, perdão e purificação dos pecados (Levítico 16). Era um dia de acerto de contas. Assim como o sumo-sacerdote ministrava o sangue do cordeiro para fazer a purificação dos pecados registrados no santuário terrestre, Jesus também aplica os méritos de Seu precioso sangue a todo aquele que se achega a Ele pela fé, fazendo a purificação de nossos pecados (Hebreus 9:23).

No dia 22 de outubro de 1844 Jesus passou a atuar no lugar santíssimo do Santuário Celestial e iniciou o Seu ministério sumo-sacerdotal. Estamos vivendo o grande dia profético da expiação. Quando Cristo encerrar esta obra de mediação e juízo, Ele voltará para dar a recompensa a cada um (Mateus 25:31-46). A profecia do livrinho aberto que seria doce na boca e amargo no estômago é uma alusão ao grande desapontamento de 1844, quando milhares de cristãos aguardavam pela vinda de Jesus e Ele não voltou. Porém o anjo instruiu: “É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis” (Apocalipse 10:11). A igreja remanescente que estivera oculta no deserto por 1.260 anos (Apocalipse 12:6, 14), seria revelada como um movimento mundial e as verdades que foram pisoteadas pela ponta pequena seria restaurada (Daniel 8:12; Isaías 58:12; Apocalipse 14:6-12).

 

Minha declaração de fé

Assinale com um X se concordar com as declarações abaixo:

(   ) Acredito que estamos vivendo no tempo do fim e que em breve Jesus voltará.

( ) Quero agradecer a Jesus por estar no Santuário Celestial neste exato trabalhando em prol de minha salvação.

( ) Desejo fazer parte do povo de Deus, a igreja remanescente, entregar minha vida a Jesus e me preparar para a Sua vinda.

 

Bênção final – “… Que a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarde seu coração e sua mente em CRISTO JESUS” (Filipenses 4:7).

 

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