A Besta que sobe do Mar

 

 

Lição 10

UMA BESTA QUE SOBE DO MAR

 

O capítulo 13 de Apocalipse amplia com muitos detalhes a guerra do dragão contra a mulher do capítulo 12. O capítulo 12 termina dizendo que o dragão, Satanás, estava irado contra a mulher, a igreja, e foi guerrear contra “os restantes da sua descendência”. Então no capítulo 13 são apresentadas duas bestas, símbolo de dois poderes que se aliarão ao dragão contra Deus e Seus santos. Estes capítulos formam uma mesma unidade temática. O dragão prossegue sua luta contra Deus e desta vez usará dois poderes, duas bestas, para tentar alcançar seus objetivos. No estudo de hoje vamos identificar a primeira besta, que poder ela representa e qual seria sua obra no cenário do tempo do fim.

 

  1. De onde surge a primeira besta vista por João? Apocalipse 13:1

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João viu a primeira besta surgir do mar. “Mar” em profecia, é símbolo de “povos, multidões, nações e línguas” (Apocalipse 17:15). Isto quer dizer que esta primeira besta se levantaria de um território densamente povoado. Vamos continuar analisando todas as suas características informadas no Apocalipse até termos condições de identificar este poder na história.

 

  1. Quantos chifres possuíam esta Besta e o que eles representam? Apocalipse 13:1; 17:12

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Há uma íntima relação entre Apocalipse 13 e Daniel 7. Daniel viu quatro animais que surgiram do grande mar. O primeiro parecia um leão, seguido um urso, depois um leopardo e, finalmente, um quarto animal, chamado apenas “terrível e espantoso” (Daniel 7:3-7). Estes quatro animais representam quatro reinos que assumiriam o poder político na história e estão em paralelo com os metais da estátua do capítulo dois de Daniel, ouro, prata, bronze e ferro. Eles representam respectivamente os impérios da Babilônia, Grécia, Medo-pérsia e Roma.

O quarto animal, designado “terrível e espantoso”, possuía dez chifres (Daniel 7:7). O anjo explica a Daniel que os dez chifres representavam dez reinos que se levantariam deste quarto império, ou seja, Roma (Daniel 7:24). Sabemos pela história que Roma não perdeu seu poder para um quinto império mundial, mas foi minado em suas bases por dez tribos bárbaras que invadiram a Itália, entre os anos 351 até 476 a.D., quando finalmente cai Roma Ocidental e morre Romulo Augusto, o último dos imperadores. As tribos bárbaras eram os Alamos, Francos, Burgundos, Suevos, Visigodos, Anglo-Saxões, Lombardos, Vândalos, Ostrogodos e Hérulos.

Quando sai de cena o imperador a figura que assumirá o controle político e eclesiástico é o papa. A expressão latina pontifex maximus (literalmente “máximo construtor de pontes” ou “supremo construtor de pontes”) designava o sacerdote supremo do colégio dos sacerdotes, a mais alta dignidade na religião romana. Este título foi incorporado pelos imperadores romanos, a partir de Augusto (27 a.C. até 14. a.D.). Com a queda do Império Romano, no século V, esse título passou a ser usado pelos bispos e, após o século XI, apenas para os papas.

 

  1. Quantas cabeças possuía esta Besta e o que eles representam? Apocalipse 13:1; 17:9, 10

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A besta que surge do mar possui sete cabeças. Já vimos que essa besta se assemelha aos animais do capítulo sete de Daniel (leopardo, urso e leão). O leão possuía uma cabeça, o urso também, e o leopardo possuía quatro. Se somarmos estas seis cabeças com a cabeça do animal terrível e espantoso, Roma, chegamos às sete cabeças.

Interessante notar ainda o que diz Daniel com relação aos três primeiros animais: “Quanto aos outros animais, foi-lhes tirado o domínio; todavia, foi-lhes dada prolongação de vida por um prazo e um tempo” (Daniel 7:12). Parece-nos que estes animais ainda sobrevivem junto com o quarto, por isso a semelhança entre eles.

 

O quatro animal de Daniel sete, “terrível e espantoso”, representa Roma na profecia. O que precisamos notar é que, após o surgimento das dez tribos, Daniel fala do surgimento de um chifre pequeno, o décimo primeiro (Daniel 7:8). Este chifre pequeno representa Roma Papal, que assumiu o controle após a queda do império em 476 a.D. Logo, o quarto animal (Roma Imperial) e o chifre pequeno (Roma Papal) estão em paralelo com o besta de Apocalipse 13, portanto trata do mesmo poder. Vejamos o paralelo:

 

 

Quarto animal + Chifre Pequeno (Daniel 7)

 

Besta do mar (Apocalipse 13)

Olhos como de homem 7:8 Número de homem 13:18
Boca falava insolências 7:8 Boca que proferia arrogâncias e blasfêmias 13:5
Tirar o domínio e o destruir 7:26 Ferida mortal 13:3
Fazia guerra aos santos 7:21 Pelejaria contra os santos 13:7
Palavras contra o Altíssimo 7:25 Blasfêmias contra Deus 13:6
Magoaria os santos 7:25 Pelejaria contra os santos 13:7
Mudaria os tempos e a lei 7:25 Difamar o tabernáculo 13:6
Perseguiria por 1.260 anos 7:25 Autoridade para agir 42 meses 13:5

 

Logo, podemos concluir que a besta que sobe do mar representa Roma em suas duas fases, pagã e papal. Estas sete cabeças podem então representar os sete poderes que, ao longo da história, perseguiram o povo de Deus: Egito, Assíria, Babilônia, Medo-pérsia, Grécia, Roma pagã e Roma Papal.

 

  1. Esta besta que sobe do mar era semelhante a que outros animais? Apocalipse 13:2; Comparar com Daniel 7:4-6

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Roma, em suas duas fases, pagã e papal, copiaria elementos dos impérios que vieram antes dela. De Babilônia, Roma copiou a pretensão e o orgulho (Isaías 14:10-14; Daniel 4:30; Jeremias 50:29), o pecado e a transgressão à Lei de Deus (Isaías 13:11, 14:13-14). Da Medo-pérsia, Roma copiou o culto de adoração no dia do sol, o domingo. O antigo culto persa, chamado Mitraismo, dedicava o primeiro dia de semana à adoração ao deus Mitra, o deus sol. Da Grécia, Roma copiou o sistema de imagens e invocação de santos (os gregos davam formas humanas as suas divindades).

 

  1. Por quanto tempo este poder iria dominar e proferir arrogâncias e blasfêmias contra Deus? Apocalipse 13:5

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O Apocalipse menciona que este poder agiria por 42 meses. Cada mês do calendário judaico possuía 30 dias, assim temos 30 X 42 = 1.260. Esta mesma forma de tempo aparece em Apocalipse 12:6, mil duzentos e sessenta dias. Se aplicarmos o princípio dia/ano de interpretação profética (Números 14:34; Ezequiel 4:6-7), temos então 1.260 anos literais.

Este período se cumpre na história a partir do ano 538 a.D., quando os Ostrogodos, a última tribo bárbara que não aceitava a supremacia do papa foi expulsa de Roma. A partir daí, por 1.260 anos, o Papado perseguiu aos cristãos, chamados santos no Apocalipse. A perseguição somente teve fim em fevereiro de 1798, quando o Papa Pio VI foi preso por ordem de Napoleão Bonaparte.

 

  1. O que aconteceu com uma das cabeças da besta? Apocalipse 13:3

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Este ferida mortal representa exatamente a prisão do Papa Pio VI por ordem de Napoleão Bonaparte. A partir desta data, 15 de fevereiro de 1798, o papa não deveria mais exercer qualquer função. Despojado de seu poder, tanto civil como eclesiástico, Pio VI morreu no exílio, em Valença, na França, no dia 29 de agosto de 1799. Cumpriram-se então as palavras proféticas: “Se alguém leva para cativeiro, para cativeiro vai…” (Apocalipse 13:10). Um novo papa foi eleito em 14 de março de 1800, Pio VII, embora neste momento não tivesse nenhum poder.

Todavia, a profecia diz que a ferida mortal seria curada e toda a terra se maravilharia seguindo a besta. Desde o concílio Vaticano I, realizado nos anos 1869 e 1870, o Papado busca se restabelecer. Neste mesmo concílio foi pronunciado o dogma da infalibidade papal, de acordo com o qual o papa, quando fala ex-cathedra, isto é, em função de seu ofício apostólico, seja para explicar uma doutrina ou um item da fé e moral a serem mantidos pela igreja, seja concernente à disciplina e ao governo da mesma, sua palavra é a lei e deve ser acatada sem questionamento, permanecendo inalterável por si mesma, e não pelo consenso da igreja. Desde então o prestígio do papa só tem crescido. No ano de 1962, o então papa João XXIII, foi declarado pela revista Time, o homem do ano. Em 1994, João Paulo II foi o segundo papa a receber este título. E em 2013, o papa Francisco recebeu o mesmo título.

 

  1. Este poder tem uma boca que profere arrogâncias e blasfêmias. Quem este poder difama? Apocalipse 13:5-6

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Esta besta já foi identificada como sendo Roma, em suas duas fases, pagã e papal. Nos tempos do império, os imperadores romanos assumiram a posição de Deus e assim se consideravam. Já nos dias de Roma Papal, este título é aplicado ao papa. Leão XIII afirmou: “… Nós detemos nesta terra o lugar de Deus Todo-Poderoso…” (Praeclara Gratulationis Publicae – A Reunião da Cristandade – Encíclica promulgada em 20 de Junho de 1894).

Pretender ser Deus é na Bíblia uma clara blasfêmia. Jesus foi acusado disso. Os judeus disseram: “Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo” (João 10:33). Jesus não cometeu blasfêmia porque Ele é Deus. Mas qualquer outro que pretenda tal título, nisso blasfema.

A Bíblia também afirma que a pretensão de perdoar pecados é blasfêmia. Os escribas e fariseus disseram de Cristo: “Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?” (Lucas 5:21). Mais uma vez Jesus não pecou, porque sendo Deus, pode perdoar pecados. Mas não é exatamente isso que pretende a doutrina da confissão auricular? Quando se busca o homem para perdão de pecados? Assim, as blasfêmias proferidas por este poder se aplicam claramente a Roma Papal.

 

Como este poder, Roma Papal, difama o tabernáculo? Quando afasta a mente dos homens da obra mediadora de Cristo, no santuário celestial, e pretende assumir a posição de mediador entre Deus e os homens, posição esta conferida por Deus apenas a Cristo (Atos 4:11-12; 1 Timóteo 2:5; 1 João 2:1).

 

  1. Este poder tentaria roubar a adoração que pertence somente a Deus. Quem aceitaria adorar este poder? Apocalipse 13:8

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Existe uma união entre o dragão e a besta que surge do mar, porque ambos possuem sete cabeças e dez chifres (comparar Apocalipse 12:3 com 13:1). No fato do dragão delegar seu poder, seu trono e grande autoridade a primeira besta é isto uma imitação deliberada de como Deus tem dado seu poder e seu trono ao filho, Jesus Cristo (Apocalipse 5:12-13). Por isso esta primeira besta se caracteriza como sendo o anticristo, porque procura ocupar o lugar deste. Da mesma maneira procura descrever a morte e a ressurreição do Messias pela própria morte e ressurreição da besta, após a ferida mortal. Por isso a besta opera como uma falsificação do cordeiro, um falso cristo. Além de tudo isso, busca para si a adoração que é devida apenas ao Criador (Apocalipse 14:7).

Quem irá adorar este poder? Somente aqueles que NÃO têm seus nomes no livro da vida. A Bíblia faz várias menções a este livro. Moisés, colocando-se como intercessor entre o povo de Israel e Deus, disse: “Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste” (Êxodo 32:32). Davi também fez menção a este livro: “Sejam riscados do Livro dos Vivos e não tenham registro com os justos” (Salmo 69:28). O próprio Cristo disse aos discípulos: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lucas 10:20). E o Apocalipse, falando sobre quem poderá ter acesso a cidade santa, afirma: “Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro” (Apocalipse 21:27).


 

Conclusão

 

Falando desta besta que sobe do mar, o poder papal, Apocalipse 13:8 afirma que “adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra”. É evidente que esse “todos” tem sentido relativo, pois os verdadeiros cristãos não adorarão este poder. Vai chegar o tempo em que a ferida mortal estará completamente curada, e a supremacia da besta será reconhecida em todas as partes do planeta. Não é precisamente para isso que caminhamos, ao ver os noticiários da TV ou sites da Internet? Este poder será mundialmente adorado e, para isso, um dia será dedicado de forma especial.

Apocalipse 13:16 fala de uma marca que será aplicada sobre a mão direita ou sobre a fronte. Esta marca tem haver com um falso dia de adoração que será imposto aos habitantes da terra. Conheceremos mais deste assunto em nosso próximo estudo, uma besta que sobe da terra. Por hoje, ouçamos o convite do Apocalipse: “Adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Apocalipse 14:7). Ele é nosso Criador e nosso Redentor. Louvado seja Deus!

 

Minha declaração de fé

Assinale com um X se concordar com as declarações abaixo:

( ) Acredito que somente Deus é digno de ser adorado e desejo entregar minha vida a Ele.

( ) Buscarei a Deus através de Cristo, meu único e legítimo mediador.

( ) Confessarei meus pecados somente a Cristo e lhe pedirei que, por Seus méritos conquistados na cruz, me perdoe os pecados e me conceda uma novo coração.

 

 

Bênção final “… Que a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarde seu coração e sua mente em CRISTO JESUS” (Filipenses 4:7).

 

 

 

 

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